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16 de maio de 2022

Hellbender e o vazio do grotesco

4/10

A criatividade tem um pé na genialidade e um pé no pitoresco, para não dizer mau gosto. Embora Hellbender não seja de todo descartável, passa a sensação de ser uma grande colcha de retalhos para provocar estranheza em cenas de gosto duvidoso.

A dupla principal de mãe e filha até ques estão bem em seus respectivos papéis, no sentido de se entregarem com absoluta credibilidade à autação, mas o roteiro poderia ter sido mais bondoso com as duas. O ar de filme B não incomoda nem um pouco, é até um charme. Também não há erotização, aqui o sangue é usado bem mais do que as curvas dos corpos das duas, e isso é positivo. Mas ainda assim o que era para ser aterrorizante ou reflexivo, so ganha contornos bizarros mesmo, e por vezes enfadonhos.

Hellbender acaba por ser um filme sobre o processo de socialização a que todos nós passamos, seja para conhecer a realidade ou mesmo para transpor a socialização primária, aquela do seio familiar, para ganhar as ruas. A dupla assume essa capa de possuir comportamentos estranhos, mas acaba acertando na "Família Adams" e provoca uns risos involuntários. Aliás, ao pesquisar pelo filme, fiquei sabendo que o filme é dirigido por pai, mãe e filha, sendo as duas as protagonistas, e incusive são chamados de "Família Adams". Ao menos a química entre mãe e filha é ótima, realmente transparece na tela, o que mostra um certo talento frente às câmeras.

Trata-se, no geral, de uma adolescente buscando entender-se no mundo, e pelo menos aí o filme traça contornos universais, uma vez que o desabrochar para a vida adulta, apesar das bizarrices, é genuíno. O fato de viverem isoladas cerca as pesonagens de um ar claustrofóbico, mas estranhamente inverossímel.

Talvez o roteiro não tenha percebido o quanto as cenas de intereação com outros personagens eram potentes, e focou mais na relação enter mãe e filha. Tudo bem, passado a estranheza inicial, as maquiagens pesadas, o rock meio gratuito (rock ainda é sinônimo de rebeldia?), as cenas intimistazzzz... bem, restaram um punhado de cenas meio sem sentido ou desinteressantes mesmo, ou que simplesmente mostram o cotidiano delas (veja o quanto somos esquisitas), sem qualquer frio na espinha, mais parecendo um documentário da discovery sobre alguma espécia perdida numa floresta... ao final só resmungamos o quanto o isolamento social da pandemia foi longe demais.

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