É estranho chegar aos 25 anos, no auge da vida, morto e consciente.
Não se trata de tristeza, muito menos de estar alegre. Sem risos, música, amigos, um copo de cerveja aos finais de semana. Durante esses anos todos, minha maior transgressão em público foi ficar louco e solitariamente bêbado na sala de estar. De resto, já fiquei bêbado de forma típica, sem perder a linha. Tudo inócuo, sem loucura, repetitivo, padrão: beber, passar mal e ir para casa, em segurança.
Nada e mais nada. Um vegetal poderia transmitir maior emoção.
Sem vontade de gritar, sussurrar ou amar. Tão fácil dizer “eu te amo” quando se tem medo, assim como fica impossível dizer “eu me amo”. Sem sentido.
Não quero sair do conforto da caverna escura, ao mesmo tempo em que queria sumir do mundo. Mas preciso assinar o ponto, ser burocrático, seguir em frente, em linha reta. Tão certo e alinhado. A minha vida se resume à burocracia, e não consigo sequer sentir o tédio, somente indiferença. Vazio. Sem sonhos e inquietações, sem nada que me faça indignar. Queria a indignação, a surpresa, a revolta, mas sou o nada. Meu ser é o nada.
Morto em um quarto de século, e a doença chegando, bem-vinda. Um verdadeiro Brás Cubas do subúrbio e moderno, sem amores ou filosofias.
Inerte, inútil, sem oração ou religião que me salve. Talvez sem alma. E tudo tão perfeito, e correto, e no lugar. Nada de vício, nem de apontar os dedos. Estou só no mundo, cheio de estranhos, querendo ser consumido por uma dor que insiste em não me arrebatar: a solidão e a existência frias são minhas fiéis companheiras.
Vou definhando, sem apetite, fraco, e só sinto que é destino, traçado, sem liberdade. E pra quê?
Já vivi demais, 25 longos anos de espera e de agonia. A lápide é feita de todas as máscaras que carrego, na obrigação de ser feliz. Mas não estou triste. Só estou morto. E em plena consciência dos sentidos.
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