Já um tempo venho me posicionando
deslocadamente em relação ao movimento LGBT. Creio que, aos poucos, vou me
tornando uma pessoa não quista, e com certa razão: trata-se de um movimento
político, portanto, ideais devem ser bem seguidos e defendidos.
Falo isso em relação a um tema
que, quanto mais eu leio, mais (re)afirmo minha convicção: o Estado Laico é um
embuste. Sim, porque essa história de defender que religião não se deve
misturar à política, é uma demagogia tremenda. Ora, por que não? Por que eu não
posso levar ao Estado as demandas provenientes de uma moral que eu ache certa?
O problema é que a religião
cristã é uma farsante. A bancada evangélica, com o perdão do termo, só existe
para conseguir voto dos cordeirinhos, não apresentam nada interessante. Antes
fosse uma Teologia da Libertação que fizesse eco no Congresso. Aliás, está lá para
barrar projetos de Lei liberais e progressistas, em favor da “família” e dos “bons
costumes”. Então, meus caros, veem se entendem: a democracia pode sim aceitar
as vozes religiosas, mas não essas que estão aí, que mais pregam o ódio, e não
conseguem pensar além da condenação moral, especialmente em relação ao corpo.
É por isso que eu entendo
perfeitamente o brado a favor do Estado Laico. É, na verdade, um brado contra o
fundamentalismo religioso. É o escudo que se tem, é a defensiva, é o
contra-argumento. Mas o Estado Laico que se brada, na verdade se assenta contra
o proselitismo, a favor da pluralidade e da diversidade. Então não seria
propriamente um Estado Laico, porque é um Estado Laico que se define enquanto
perspectiva de Estado a favor da liberdade religiosa, ateísta, e também
contrária a aceitar dogmas totalizantes. Ou seja, é uma definição, digamos,
capenga e abrangente.
Resumindo: religião pode sim
penetrar o Estado. Não há nada de mais. O que não se aceita é o
fundamentalismo. Aí entra outra pergunta: seria a religião necessariamente
fundamentalista? Duvido muito. Porém, fundamentalistas religiosos de fato não
conseguem entender o que seja isso. Suas perspectivas de que determinado
comportamento leva à salvação, ao bem comum, engole individualidades e formas
de dispor sobre o corpo, sobre a sexualidade, sobre os prazeres que os deixam
cegos. Eles acreditam fielmente que os LGBTs são um declínio moral, ao passo
que tudo o que os casais mais querem é se tornar família tradicional.
Mas o fundamentalismo é assim
mesmo. E é fácil explicar: se a religião X condena, por exemplo, a
homossexualidade, os fundamentalistas vão querer que todos pensem assim. Quem pensar
fora, está condenado, é ignorante, é cego. E veja bem, quando um homossexual
busca seu direito, ele não fere o direito de nenhum hétero. Na matemática,
ambos sairiam com direitos garantidos. É diferente, porém, quando se nega o direito
a este mesmo homossexual, uma conta que dá direitos pra uns, mas exclui outros.
Os pluralistas vão defender o bem-estar de todos. Os fundamentalistas vão
defender sua moral e que sua moral seja a moral de todos. Não há lógica.
Só acho que a bandeira da
diversidade e do pluralismo deve estar mais visível. Quando se brada a favor do
Estado Laico, fica parecendo birra. Cria-se virtualmente um inimigo, e é
justamente isso que os líderes religiosos querem, rivais. O que o movimento
LGBT precisa entender é que a bandeira do pluralismo abarca todos. Se for isso
o Estado Laico, então me dou por satisfeito. Mas na política, os termos nos
engolem. E o nosso pensamento de revanchismo parece que não consegue se
desenvolver sem fazer inimigos.
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