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8 de maio de 2015

O Estado Laico é um embuste

Já um tempo venho me posicionando deslocadamente em relação ao movimento LGBT. Creio que, aos poucos, vou me tornando uma pessoa não quista, e com certa razão: trata-se de um movimento político, portanto, ideais devem ser bem seguidos e defendidos.

Falo isso em relação a um tema que, quanto mais eu leio, mais (re)afirmo minha convicção: o Estado Laico é um embuste. Sim, porque essa história de defender que religião não se deve misturar à política, é uma demagogia tremenda. Ora, por que não? Por que eu não posso levar ao Estado as demandas provenientes de uma moral que eu ache certa?

O problema é que a religião cristã é uma farsante. A bancada evangélica, com o perdão do termo, só existe para conseguir voto dos cordeirinhos, não apresentam nada interessante. Antes fosse uma Teologia da Libertação que fizesse eco no Congresso. Aliás, está lá para barrar projetos de Lei liberais e progressistas, em favor da “família” e dos “bons costumes”. Então, meus caros, veem se entendem: a democracia pode sim aceitar as vozes religiosas, mas não essas que estão aí, que mais pregam o ódio, e não conseguem pensar além da condenação moral, especialmente em relação ao corpo.

É por isso que eu entendo perfeitamente o brado a favor do Estado Laico. É, na verdade, um brado contra o fundamentalismo religioso. É o escudo que se tem, é a defensiva, é o contra-argumento. Mas o Estado Laico que se brada, na verdade se assenta contra o proselitismo, a favor da pluralidade e da diversidade. Então não seria propriamente um Estado Laico, porque é um Estado Laico que se define enquanto perspectiva de Estado a favor da liberdade religiosa, ateísta, e também contrária a aceitar dogmas totalizantes. Ou seja, é uma definição, digamos, capenga e abrangente.

Resumindo: religião pode sim penetrar o Estado. Não há nada de mais. O que não se aceita é o fundamentalismo. Aí entra outra pergunta: seria a religião necessariamente fundamentalista? Duvido muito. Porém, fundamentalistas religiosos de fato não conseguem entender o que seja isso. Suas perspectivas de que determinado comportamento leva à salvação, ao bem comum, engole individualidades e formas de dispor sobre o corpo, sobre a sexualidade, sobre os prazeres que os deixam cegos. Eles acreditam fielmente que os LGBTs são um declínio moral, ao passo que tudo o que os casais mais querem é se tornar família tradicional.

Mas o fundamentalismo é assim mesmo. E é fácil explicar: se a religião X condena, por exemplo, a homossexualidade, os fundamentalistas vão querer que todos pensem assim. Quem pensar fora, está condenado, é ignorante, é cego. E veja bem, quando um homossexual busca seu direito, ele não fere o direito de nenhum hétero. Na matemática, ambos sairiam com direitos garantidos. É diferente, porém, quando se nega o direito a este mesmo homossexual, uma conta que dá direitos pra uns, mas exclui outros. Os pluralistas vão defender o bem-estar de todos. Os fundamentalistas vão defender sua moral e que sua moral seja a moral de todos. Não há lógica.


Só acho que a bandeira da diversidade e do pluralismo deve estar mais visível. Quando se brada a favor do Estado Laico, fica parecendo birra. Cria-se virtualmente um inimigo, e é justamente isso que os líderes religiosos querem, rivais. O que o movimento LGBT precisa entender é que a bandeira do pluralismo abarca todos. Se for isso o Estado Laico, então me dou por satisfeito. Mas na política, os termos nos engolem. E o nosso pensamento de revanchismo parece que não consegue se desenvolver sem fazer inimigos.

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