Dois amigos, um gay e um hétero conversavam em frente a uma
Igreja:
- Que saber, eu não quero ser mulher...
- Eu também não.
- E também não tenho a mínima vontade de sair por aí
gritando minha sexualidade.
- Eu também não quero isso.
- Sei lá, queria algo mais íntimo... Eu queria casar nessa
Igreja!
- Eu também!
- Eu queria ter filhos.
- Eu também...
- Dois. Ou talvez três...
- Talvez.
- Mas sabe, eu ainda não encontrei a pessoa certa.
- E sabe que eu também não?
Momento de reflexão.
- Eu não entendo porque dizem “ditadura gay”, você entende?
- Não.
- Afinal, gays não querem privilégios, querem apenas os
mesmo direitos que os casais héteros, concorda?
- Claro que sim.
- Andar de mãos dadas, demonstrar afeto em público, poder se
beijar no final da novela das oito, cantar alguém do mesmo sexo com a mesma
facilidade que um homem a uma mulher ou vice-versa, chamar os sogros para o
almoço de Natal, apresentar o companheiro ao bisavô de oitenta e quatro anos...
- Verdade.
- E mesmo a Lei anti-homofobia, não cria privilégios, já que
a Lei é contra discriminação e preconceito por qualquer orientação sexual e
qualquer desigualdade de gênero.
- Concordo.
- E o amor entre pessoas do mesmo sexo é tão natural, tão
óbvio, mesmo entre outras espécies na natureza.
- Hã-ham.
Mais uma pausa.
- E quando homossexuais reivindicam ser uma família, é tão
clichê, adotar, casar, é tão clichê, não
acha?
- Clichezão.
- Sinceramente, não sei por que alguns têm medo.
- Nem eu.
Mais uma pausa.
- Quer saber, cansei dessa hipocrisia!
- Eu também.
Eles se olharam.
- Me beija!
- O quê?
- Me beija, cara!
- Você tá maluco, eu não sei...
- E precisa saber beijar?
- Não, você entendeu errado.
- Um beijo seria um ato político, para mostrar às pessoas
que vêm a esta Igreja, e você deve concordar comigo que essas pessoas precisam
de um choque de realidade.
O outro fica pensativo. Pensativo.
Passado uns três minutos, ele concorda, “mas só um selinho”,
avisa.
- Quer saber, esquece.
- O quê?
- Esquece essa historia de beijo!
- Mas por quê? Eu juro que não tenho mau hálito.
- Não é isso. Só acho que já é demais desnaturalizar um ato,
como um beijo, que deveria ser a troca de carinho e afeto dos mais íntimos, para
então se tornar algo pragmático, um meio para almejar outros fins. Perde-se
toda a sua concepção original, você não acha?
- Verdade – diz, meio confuso.
Então, o rapaz que propôs o beijo dá meia-volta, já cansado
daquele ambiente.
- Bem, agora vou falar com a Fernanda, temos que começar os
preparativos para nosso casamento.
- Ok.
E o amigo gay fica ali, absorto. Como esses héteros estão
arrojados!
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