8,5/10
É inegável o poder da Netflix em época de pandemia, capaz de manter nossa sede insaciável pelo consumo de séries e de filmes (este último em especial por conta do fechamento dos cinemas tradicionais), tornando-se, além de distribuidora de streaming, uma grande PRODUTORA de conteúdo.
Deste modo, a empresa acaba recebendo os holofotes das grandes estreias, o que pode potencializar o favorecimento da visão que temos de seus lançamentos, claro, mas também não dá pra negar a qualidade de alguns de seus materiais, ainda que a maioria seja de fato descartável. Mas em "Resgate", para nosso deleite, há sim uma boa história a ser vista (não exatamente a ser contada,já que o roteiro se apóia mais na movimentação no que nos diálogos).
Mas o fato inegável é que estamos diante de um ótimo produto, não exatamente pelo roteiro, mas principalmente pela construção de ótimas cenas do estreante em longas, Sam Hargrave.
Estrelado por Chris Hemsworth ( o queridíssimo "Thor"), o longa entrega o que promete: cenas de ação de tirar o fôlego, com grande destaque a um plano sequência de perseguição, filmado de forma magistral. O protagonista vive o papel de Tyler, um mercenário contratado para fazer o "resgate" do filho de um poderoso narcotraficante da Índia, que fora raptado por outro igualmente poderoso narcotraficante, de Bangladesh.
Certamente você já deve ter visto este roteiro em algum lugar, com um homem fodão dando conta de vários e vários caras. Sem partir para muita explicação, o filme o lança na ação, o que pode ser bom, mas também pode receber as críticas de quem espera uma história mais amarrada. No entanto, as cenas não deixam a desejar, e isso pra mim já vale a sessão, já que se trata de um filme de ação (!).
Mas tecnicamente, além do plano sequência, há diversas camadas sim, como a fotografia meio amarelada de Bangladesh, conferindo-lhe ar sórdido, ou a trilha que mantém a tensão, ou mesmo certo lirismo no personagem principal, que permanece misterioso e com cenas que reforçam a sua personalidade introspectiva.
Se você for atento, o final não é exatamente uma surpresa, podendo senti-lo a quilômetros, mas o fato é que a construção até ele é até mais interessante. As cenas nas ruas são magníficas, assim como a cena na ponte, enfim, quase tudo funciona nesse filme.
Decerto é meio chato você explorar clichês do gênero tendo como mocinho alguém com traços ocidentais bem acentuados, loiro, bonito, e os chefões serem, como sempre, os diferentes, malvadões. Mas a verdade é que nem há exatamente mocinhos, o próprio protagonista é um mercenário, e o destino dado ao personagem talvez corrobore a este aspecto. A esperança talvez resida nos jovens, e nem todos, pois o filme até mostra que alguns deles estão perdidos mesmo. Mas enfim, esse tipo de reflexão passa a largo. O que vale mesmo é o tiroteio. JOGUE-SE SEM MEDO!!
PS: JÁ FOI CONFIRMADO O 2 , POIS QUE VENHA ESSA CONTINUAÇÃO!!!
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