3/10
Não creio que as animações, no geral, sejam apenas infantis. Ainda que seja possível ver que muitas animações se destinem a esse público como alvo, mesmo aquelas com abordagem lírica infantil conseguem sim agradar ao público de mais idade. Veja, por exemplo, animações como a série "Toy Story", ou japonesas como "A viagem de Chihiro", são filmes que agradam a todos.
Então essa minha crítica em nada tem a ver com a perspectiva geracional. Acontece que essa nova produção da Netflix tem muitos méritos, no entanto, tem muitos defeitos também (e gritantes!).
Conta a história da excêntrica família Willoughby, que inicia somente com o casal adulto, sendo que os filhos nascem logo no início do filme, apresentados em um casarão onde moram. Começa aí 2 problemas gritantes da obra. Primeiro, a coloração da casa, num tom avermelhado, me incomodou em muito. Até aí tudo bem, é questão de gosto. Agora a construção e apresentação apressada dos personagens é algo sim, que atrapalha demais o nosso envolvimento com eles, comprometendo o saldo da obra.
Será mesmo que precisamos de tanta correria assim? Seria esse um sinal da modernidade e estou sendo um velho chato desatualizado? Duvido muito. É preciso aqui separar ritmo de ambientação. O ritmo frenético e agitado é bem vindo, e este deve concorrer para que gostemos dos personagens, e não ao contrário. Em poucos minutos a trama já começa, um narrador (um gato de rua) deslocado que depois se insere à família vai nos contando a história, e uma série de reviravoltas e acontecimentos atropelados são apresentados, como se o roteiro despirocado tivesse muito pouco tempo pra tudo, personagens secundários vem e vão a uma velocidade que você se pergunta "o que diabos esse filme quer mostrar?". Uma ambientação que mais te afasta do que aproxima, e isso é um tiro no pé em um longa que aposta no sentimento ao seu final.
Vencida a primeira metade do longa, se ainda lhe restar interesse, as coisas enfim começam a melhorar, com destaque para a amizade dos irmãos. Como já falei, visualmente o filme é ruim, e esse aspecto fica mais evidenciado quando além da casa, são mostrados outros lugares. A indústria ao final do arco-íris, por exemplo, tem umas colorações berrantes bem feias, e o homem que cuida do lugar, um desenho... bem... estranho (no mínimo). Isso passa ao largo se ao menos os personagens fossem interessantes, mas como também já falei, uma enxurrada deles passa pelo filme, e ainda bem que os dois irmãos mais velhos são bem legais, uma pena que não diria o mesmo dos gêmeos mais novos, praticamente nulos.
Já para o final, é possível sentir a reviravolta que o filme terá, e isso não necessariamente é ruim, pois o filme desacelera mais e tenta captar o telespectador. Veja que para gerar este envolvimento, foi preciso conter a correria. Se o filme trabalhasse melhor esse aspecto emocional e a personalidade dos personagens no início, com certeza o resultado seria melhor. Parecia mais um episódio de desenho animado com personagens que já conhecíamos, e isso não pegou nada bem para obra. Uma pena, pois os minutos finais trazem uma mensagem poderosa sobre o poder da família (não necessariamente família de sangue).
Apressado e visualmente de mau gosto, mas com uma mensagem muito necessária. Você pode se emocionar no final, mas terá que aguentar uma montagem e um roteiro bem maçante até lá. Boa sorte!
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