Estou de volta. Não inteiramente de volta, por hora, mas após 4 anos sem escrever aqui, estou tentando retomar o "meu eu". Falarei aqui como estou tentando retornar à normalidade tendo que conviver com um quadro de ANSIEDADE bem profundo, que envolve também surtos depressivos.
Em 2015 (ano da última vez em que escrevi aqui) estava no auge do meu relacionamento mais marcante. Para o bem e para o mal. Época de muita entrega e de muita humilhação. No ano seguinte, em 2016, como parte da superação deste relacionamento, comecei a intensificar os estudos pra concurso, ainda que já seja concursado (sou Analista Administrativo num órgão federal).
Meus problemas psicológicos não iniciaram aí, já desde 2009 ou 2010 faço regularmente sessões de terapias, com idas e vindas, é verdade. Mas sinto que desde 2016, intensificou-se a ansiedade, a falta de autoestima, a cobrança. E foi o ano em que pela primeira vez tive pensamentos suicidas.
Antes de entrar em detalhes, preciso apenas saltar rapidamente para o tempo presente. Somente em 2019 consegui me formar em economia, sendo que já era sociólogo. Também passei pelos cursos de Matemática, Relações Internacionais, Sistemas de Informação e mais recentemente Engenharia da Computação. Como percebem, tenho total falta de foco, atirando pra tudo quanto é lado, sem muita organização, embora eu sinta que estudei bastante esses anos todos. E é verdade, ninguém pode negar que eu não seja estudioso. Mas a primeira lição que devemos tirar é saber diferenciar quantidade e qualidade de informação. Passear por todas essas formações, mostra apenas que tenho total falta de foco.
Tentei vários concursos, e obviamente acumulei várias reprovações. Concursos na área econômica, judiciária, fiscal, justiça trabalhista. Fazendo tudo errado. Simplesmente porque não faço ideia do que quero na vida, mesmo com duas graduações e um mestrado em Ciências Políticas. O fato de ter me classificado (fora das vagas) na maioria deles, me dá uma certa esperança de que não estou tão longe, mas é preciso ajustes. Porém, eu não estou tão longe de quê exatamente? Não sei.
E pra completar, professores de cursinhos não ajudam muito. Eles partem do ponto que você já tem um FOCO ou já está muito motivado. E aliás, eles estão certos, eles não podem e não devem escolher uma área por você. Esta é a segunda lição, definir sua área é essencial, pra sua saúde física, mental, e até mesmo financeira, e essa é uma atitude que você deverá realizar sozinho.
DA ANSIEDADE À DEPRESSÃO
Feita esta pequena introdução, é chocante constatar como cheguei ao fundo do poço. Lembro em 2016, fim de relacionamento, após ter assistido "13 reasons why", os pensamentos suicidas me dominando, e eu sem forças para sequer levantar da cama. Morar sozinho tem suas vantagens, mas nessas horas, é muito foda. É você com você mesmo. Ainda bem que sou fraco.
Era uma época de chuva de concursos de TRT. Em todos aprovei entre os 100, mas não conseguia ficar entre os 15. Sentia que precisava provar pra mim mesmo que conseguiria estudar, cumprir as metas e tudo o mais como manda o figurino, e sempre fazia meu planejamento, e sempre o refazia também.
Minha vida era baseada no edital que saísse.
Conheci a "Turma de elite" no ano seguinte, na preparação de auditor SEFAZ-MA. O lema "estude, não pense" talvez tenha feito uma cicatriz muito maior na minha pele (e no meu cérebro).
Mas a questão é: eu nem sabia, e até hoje não sei, o porquê eu quero passar num concurso melhor. Desde quando classifiquei no BACEN em 2013, nutro esse desejo, e sempre costumo dizer que "BACEN é meu objetivo", mas eu sei muito bem que não consigo controlar a ansiedade e focar nele, estou a toda hora me empurrando a testes, e tentativas desesperadas de me encontrar em alguma área de formação (hoje faço Análise e Desenvolvimento de Sistemas, e ainda não sei o que quero na vida).
Em 2018 mudei de cidade no meio da preparação à prova da ABIN, prova esta que nem me classifiquei e sobrou vagas, na área da economia. Senti também o peso dos "30 anos", e uma sensação de que, embora tenha um bom emprego, essa busca por um futuro melhor me consome. E como a Sandy, as costas doem. Tento me dedicar mais à academia e atividades físicas, mas logo vem o sentimento de culpa por não estar aproveitando bem o meu tempo, afinal, sou um fracasso em termos de organização, estudo há tanto tempo pra concursos e ainda não passei para um confortável (eu acho).
Falta-me disciplina, sobra muitos tiros avulsos. Foco é algo muito sério, daí me pego lendo livros de auto ajuda, "A única coisa". E em seguida, flerto com a área de TI que é onde estou atualmente, na mesma velocidade em que me inscrevo para um concurso na área de economia para auditor, e me saio até bem (4º lugar nas cotas), mas a peso de muita desordem e confusão mental.
Minha mente não sabe pra onde atirar, me sinto a toda hora aturdido, sem saber qual rumo seguir. Diagnosticado com ansiedade desde sempre, não demora muito vem surtos depressivos como os que senti à época da minha separação. Não me sinto um fracassado, pois estranhamente até consigo reconhecer o que já conquistei, mas sinto que estou muito próximo ao fim da linha. Constantemente meu inconsciente me compara a um robô.
E chegamos em 2019, tenho falado pra mim mesmo que me encontrei na área de TI e que agora terei condições de pôr a minha vida no eixo. Mas no fundo eu sei que não tenho paixão alguma. O foco vem com uma certa dose de paixão, mas esse mundo está tão tóxico, do nosso cenário político (a escassez de concursos aqui acaba sendo o de menos) ao fato de que, internamente, me sinto como um viajante sem rumo. Falta tesão.
Com as redes sociais, somos bombardeados de notificações de aulas, de editais iminentes, de dicas, lives etc. Se um concurseiro não souber gerenciar isso, ele enlouquece. É muita informação atrelada a sonhos e desejos que mal sabemos ou definimos, e quando encontra uma mente inquieta como a minha, isso se transforma numa bola de neve. Sinto que estou rolando ladeira a baixo, numa metáfora que dá conta deste eterno movimento, cada edital meu coração pula, "será que faço ou não faço", mas afinal não respondi a pergunta mais fundamental: o que eu quero da vida?
Pra mim, a vida não tem sentido algum. E voltam os surtos depressivos, em 2019 já são 3 momentos em que ficava imobilizado na cama, absorvido pelos stories das pessoas, mais de 24h sem comer. Iniciei um namoro que pelo menos não me deixa ficar sozinho, e no último surto foi em casa e me levou arrastado para comer.
Sigo sem saber para onde ir. Sigo achando que meu namorado está perdendo tempo comigo. Sigo longe da família e amigos, desativei o Facebook, e não sei pra onde vou. Sigo atento às diversas oportunidades de editais, e nem sei direito se quero ou não fazer, mas acompanharei os cursinhos e suas frases motivacionais. Sigo com planejamentos feitos e não cumpridos.
Às vezes penso que seria muita sorte se uma bala perdida me atingisse. Poderia virar mártir e acabar com meu sofrimento em vida. Seria muito mais útil.