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30 de julho de 2013

Jesus estaria ao lado das Vadias




“O filho de Deus, prescindido de simpatia, quebra objetos sagrados no próprio Templo, e afirma que o maior dos Templos é o nosso próprio corpo”.



Não tenho nenhuma dúvida de que Jesus estaria ao lado das Vadias. Nenhuma. Até porque a amizade dele com Maria Madalena já mostra muito de suas preferências.

  O Papa é inegavelmente carismático, sorridente, cara de bons amigos. Essa é a aparência perfeita, com palavras vazias e evasivas, discurso pronto, feito para as massas (jovens), e assim ganha a simpatia de muitos.
Já as “loucas” feministas da Marcha das Vadias, protegendo o rosto para o anonimato, se valem do discurso do conflito, da reação debochada, do desrespeito, de uma encenação impactante. Fazem tudo errado. 

A sociedade da aparência funciona muito bem, obrigado.


 A sociedade das aparências julga não pela verdade, mas pela imagem. Não pelo conteúdo, mas pelo efeito. Em nenhum momento a Igreja Católica se mostra renovada para questões como aborto, relacionamentos homoafetivos, identidades trans, etc. Muito pelo contrário, o Kit peregrino, fundamentado em uma bioética cristã, distribuído durante a Jornada Mundial da Juventude foi claro:
 
"Naturalmente, é essencial ser amado pelos pais, mas não basta. (…) Sejamos realistas: nascemos menino ou menina. A procriação necessita de pai e mãe. A criança precisa de pai e mãe para se desenvolver”.

O velho modelo de família tradicional sustentado com palavras que incitam o cuidar, claro. O conflito não está aí. A aparência está perfeita.

Aí o papa diz que “se a pessoa for gay e procurar Deus” (como se fosse realmente necessário fazer tal disjunção entre a condição de ser gay e a busca pela espiritualidade), quem seria ele para julgar... Julgar o que, afinal? O que há para julgar? E ele deixou explícito ser contra o lobby gay no Vaticano, contra o acesso feminino aos cargos do clero, contra o aborto e por aí vai.

A questão é: a justiça não se faz por imagens nem com santas intenções. Jesus revoltado, brinda-nos no livro de João com sua revolta, escárnio, porque embora faça “tudo errado”, ele está ao lado da justiça.

Quando já estava chegando a Páscoa judaica, Jesus subiu a Jerusalém.

14 No pátio do templ,o viu alguns vendendo bois, ovelhas e pombas, e outros assentados diante de mesas, trocando dinheiro. 15 Então ele fez um chicote de cordas e expulsou todos do templo, bem como as ovelhas e os bois; espalhou as moedas dos cambistas e virou as suas mesas. 16 Aos que vendiam pombas, disse: "Tirem estas coisas daqui! Parem de fazer da casa de meu Pai um mercado!" 17 Seus discípulos lembraram-se que está escrito: "O zelo pela tua casa me consumirá". 18 Então os judeus lhe perguntaram: "Que sinal milagroso o senhor pode mostrar-nos como prova da sua autoridade para fazer tudo isso?" 19 Jesus lhes respondeu: "Destruam este templo, e eu o levantarei em três dias". 20 Os judeus responderam: "Este templo levou quarenta e seis anos para ser edificado, e o senhor vai levantá-lo em três dias?" 21 Mas o templo do qual ele falava era o seu corpo. 22 Depois que ressuscitou dos mortos, os seus discípulos lembraram-se do que ele tinha dito. Então creram na Escritura e na palavra que Jesus dissera. 23 Enquanto estava em Jerusalém, na festa da Páscoa, muitos viram os sinais milagrosos que ele estava realizando e creram em seu nome. 24 Mas Jesus não se confiava a eles, pois conhecia a todos. 25 Não precisava que ninguém lhe desse testemunho a respeito do homem, pois ele bem sabia o que havia no homem.
 


O filho de Deus, prescindido de simpatia, quebra objetos sagrados no próprio Templo, e afirma que o maior dos Templos é o nosso próprio corpo.



Mas é claro que a sociedade da aparência não vai ligar, nem se dar ao trabalho de compreender a verdade, porque a encenação das vadias foi muito feia, grotesca, insana. Quebrar objetos sagrados é falta de respeito, claro! Jesus nunca agiria assim... ops!!

 
De qualquer forma, preferimos mil vezes o Papa sorridente, alegre, carismático e tocando tambor, ainda que ligeiramente machista, homofóbico e destilando sua implícita misoginia.


Crédito: As imagens nesta postagem foram extraídas do blogueirasfeministas.com.



25 de julho de 2013

Filme: Meu amor de verão


NOTA: 7,5/10

No cenário bucólico de Yorkshire, surge uma irregular história de romance entre duas jovens mulheres, que parecia engrenar para uma boa discussão entre amor adolescente, intolerância religiosa e desestrutura familiar, mas acaba derrapando no excesso de temas que tenta provocar e na velocidade com que o desfecho foi se desenvolvendo.

Para uma modesta produção, ficam evidentes as competentes jogadas de luz e fotografia da equipe técnica logo nas primeiras cenas: cores fortes, vibrantes, nas externas. Isso tudo evidencia o cenário rústico em que as duas protagonistas se inserem, contrastando com o mundo não tão idílico assim quando as tomadas são feitas em espaços privados, de intimidade das duas, com cores mais escuras. As garotas em questão são as boas Mona (Nathalie Press) e Tamsin (Emily Blunt).

O público é apresentado às duas logo de início, sem rodeios. Ambas exalam carência e necessidade de afeto. Pode-se dizer que o filme fala sobre um romance que nasceu do desajustamento social de ambas. A primeira grande virtude do filme foi não culpar a experiência lésbica por isso: as garotas, solitárias, são, antes de tudo, humanas.

Talvez por isso o filme passe a impressão de que a relação entre elas seja movida mais por carência do que pelo efetivo desejo lésbico. No entanto, além de eu discordar deste ponto de vista, creio que o roteiro revelou outro ponto positivo neste limiar: elas, em nenhum momento, passam a ideia de transtorno ou angústia em relação às experiências relativas às suas sexualidades. Mesmo se as personagens estivessem apenas se aventurando (Mona, por exemplo, tinha um ex-namorado), a situação clichê em que elas poderiam questionar a prática lésbica, numa espécie de “lesbofobia” internalizada, não existe. Elas vivem aquele relacionamento não duradouro sem ressentimentos, ainda que a questão do preconceito surja, mas por pressões externas.

Outro ponto importante é o irmão de Mona, Phil (Paddy Considine), um personagem cujo passado obscuro é apenas citado, e que vive a experiência de ter se convertido a uma Igreja cristã. O filme cresce quando ele está em cena, pois ele representa o fardo de um assunto extremamente pertinente: o fundamentalismo religioso frente às liberdades individuais no que tange à sexualidade.

Há também uma ligeira pincelada em pontos como o machismo, a desestrutura familiar, a solidão, o desajustamento social. E é justamente aí que vai se formando o problema: o roteiro acaba se perdendo, há bruscas reviravoltas, incluindo mudanças nas personalidades de Tamsin e Phill, forçando surpresas quando, na verdade, o interesse maior residia nos pontos de discussão interessantes propostos pela premissa do filme, o que acaba decepcionando o produto final como um todo.

Ainda assim, é um filme que toca em pontos essenciais, com uma trilha sonora escolhida de forma certeira: o filme encerra com a voz de Edith Piaf. Em muitos momentos é demasiadamente gostoso acompanhar aquele romance e as reviravoltas, e por mais que eu tenha minhas ressalvas, em nenhum momento são indigestas, mesmo que a mensagem seja dura e impactante ao seu final. Enfim, um filme que vale a conferida. 

Publicado no CINEPLAYERS em 26/06/2013 http://www.cineplayers.com/comentario.php?id=36182

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