“O filho de Deus, prescindido de simpatia, quebra objetos sagrados no
próprio Templo, e afirma que o maior dos Templos é o nosso próprio corpo”.
Não tenho nenhuma dúvida de que Jesus estaria ao lado das
Vadias. Nenhuma. Até porque a amizade dele com Maria Madalena já mostra muito
de suas preferências.
O Papa é inegavelmente carismático, sorridente, cara de bons
amigos. Essa é a aparência perfeita, com palavras vazias e evasivas, discurso
pronto, feito para as massas (jovens), e assim ganha a simpatia de muitos.
Já as “loucas” feministas da Marcha das Vadias, protegendo o
rosto para o anonimato, se valem do discurso do conflito, da reação debochada,
do desrespeito, de uma encenação impactante. Fazem tudo errado.
A sociedade da aparência funciona muito bem, obrigado.
A sociedade das aparências julga não pela verdade, mas pela
imagem. Não pelo conteúdo, mas pelo efeito. Em nenhum momento a Igreja Católica
se mostra renovada para questões como aborto, relacionamentos homoafetivos,
identidades trans, etc. Muito pelo contrário, o Kit peregrino, fundamentado em
uma bioética cristã, distribuído durante a Jornada Mundial da Juventude foi
claro:
"Naturalmente, é
essencial ser amado pelos pais, mas não basta. (…) Sejamos realistas: nascemos
menino ou menina. A procriação necessita de pai e mãe. A criança precisa de pai
e mãe para se desenvolver”.
O velho modelo de família tradicional sustentado com
palavras que incitam o cuidar, claro. O conflito não está aí. A aparência está
perfeita.
Aí o papa diz que “se a pessoa for gay e procurar Deus”
(como se fosse realmente necessário fazer tal disjunção entre a condição de ser
gay e a busca pela espiritualidade), quem seria ele para julgar... Julgar o
que, afinal? O que há para julgar? E ele deixou explícito ser contra o lobby
gay no Vaticano, contra o acesso feminino aos cargos do clero, contra o aborto
e por aí vai.
A questão é: a justiça não se faz por imagens nem com santas
intenções. Jesus revoltado, brinda-nos no livro de João com sua revolta, escárnio, porque embora faça “tudo errado”,
ele está ao lado da justiça.
Quando já estava chegando a Páscoa judaica, Jesus subiu a
Jerusalém.
14 No pátio do templ,o viu alguns vendendo
bois, ovelhas e pombas, e outros assentados diante de mesas, trocando dinheiro.
15 Então ele fez um chicote de cordas e expulsou todos do templo, bem como
as ovelhas e os bois; espalhou as moedas dos cambistas e virou as suas mesas. 16
Aos que vendiam pombas, disse: "Tirem estas coisas daqui! Parem de
fazer da casa de meu Pai um mercado!" 17 Seus discípulos lembraram-se que está escrito: "O
zelo pela tua casa me consumirá". 18
Então os judeus lhe perguntaram: "Que sinal milagroso o senhor pode
mostrar-nos como prova da sua autoridade para fazer tudo isso?" 19 Jesus lhes respondeu: "Destruam este templo, e eu o levantarei em três dias". 20 Os judeus responderam: "Este
templo levou quarenta e seis anos para ser edificado, e o senhor vai levantá-lo
em três dias?" 21 Mas o templo do qual ele falava era o seu
corpo. 22 Depois que ressuscitou
dos mortos, os seus discípulos lembraram-se do que ele tinha dito. Então creram
na Escritura e na palavra que Jesus dissera. 23 Enquanto estava em Jerusalém, na festa da Páscoa,
muitos viram os sinais milagrosos que ele estava realizando e creram em seu
nome. 24 Mas Jesus não se confiava a eles, pois
conhecia a todos. 25 Não precisava
que ninguém lhe desse testemunho a respeito do homem, pois ele bem sabia o que
havia no homem.
O filho de Deus, prescindido de simpatia, quebra objetos
sagrados no próprio Templo, e afirma que o maior dos Templos é o nosso próprio
corpo.
Mas é claro que a sociedade da aparência não vai ligar, nem
se dar ao trabalho de compreender a verdade, porque a encenação das vadias foi
muito feia, grotesca, insana. Quebrar objetos sagrados é falta de respeito,
claro! Jesus nunca agiria assim... ops!!
De qualquer forma, preferimos mil vezes o Papa sorridente,
alegre, carismático e tocando tambor, ainda que ligeiramente machista,
homofóbico e destilando sua implícita misoginia.
Crédito: As imagens nesta postagem foram extraídas do blogueirasfeministas.com.



